Uma das maiores dificuldades da
nova geração de profissionais, dizem os RHs, é entender os códigos e as
etiquetas do mundo corporativo. Saiba como não dar mais um fora.
Você está acostumado a frequentar
aulas, lidar com professores, colegas de classe, estudar e fazer provas. De
repente, o jogo muda. É preciso vestir roupas formais, pensar antes de dizer o
que vem à cabeça, além de entender e atender a uma hierarquia composta de
coordenadores, gerentes e chefes.
A chegada de um jovem ao mercado
de trabalho é cheia de expectativas. A empresa quer ver logo o
conhecimento e a criatividade do sangue novo. E o jovem tem ânsia de
mostrar ao mundo a que veio.
Tanta ansiedade pode dificultar a
leitura do ambiente de trabalho. Quando é a hora de pedir aumento? Como fazer
sugestões para o chefe? Qual o momento certo de falar de uma promoção? Quando
bate a dúvida e chega a insegurança, é preciso ter clareza sobre o que esperar
da empresa e o que a companhia quer de você.
De acordo com a pesquisa Sonho
Brasileiro, feita pela agência Box 1824 com jovens de 18 a 24 anos, 55% do
público tem como maior sonho algo ligado ao trabalho. E 24% deles afirmam que
seu maior objetivo de vida está relacionado à "profissão dos sonhos".
"Diante de tantos planos em
torno do emprego, é esperado que num primeiro momento o jovem fique perdido e
tenha dificuldade em lidar com o ambiente de trabalho", diz Danilca
Galdini, sócia da Cia de Talentos.
Segundo a consultora, hoje essa
"inadequação" é mais evidente por causa da educação que os jovens
recebem.
"A geração anterior era
treinada para entender ambientes. Quando uma criança aprontava, os pais olhavam
feio e ela precisava sacar o que tinha feito. Agora, quando uma criança leva
bronca, os pais explicam o porquê, eles ‘leem’ o ambiente por ela. A
consequência é a dificuldade de entender sozinha o contexto de uma
situação".
Quando as dúvidas aparecem, o
mais importante é não ter vergonha de perguntar. “Se tiver liberdade, fale com
seu chefe. Senão, consulte o RH. Faça perguntas para entender como deve se
vestir e como as pessoas da equipe se comunicam”, explica a consultora de
carreira Vicky Bloch.
Ela ressalta que é essencial não
entrar no mercado de trabalho só depois da faculdade: "Os estágios são
importantes para aprender e começar a entender os códigos das empresas".
Copiar o comportamento de um
colega de trabalho não é a melhor opção para quando bate a insegurança.
"Isso pode inibir seu desenvolvimento, pois tolhe a própria sensibilidade.
Para saber como agir é preciso ter um distanciamento das situações e se
esforçar para analisar as posições de outras pessoas", diz Tiago Matheus,
psicanalista e professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.
Ruan Bianco, de 23 anos, quase
caiu nessa armadilha em um momento de insegurança. Ele é formado em farmácia
pela Universidade de São Paulo, mas o gosto pela área de negócios levou-o ao
setor de inteligência de mercado da Daiichi Sankyo, empresa japonesa do ramo
farmacêutico.
"Eu não entendia muitas
coisas que meus colegas, formados em administração, diziam. Fiquei perdido e
não sabia me posicionar”, diz. Depois de procurar a orientação de um coach,
Ruan reverteu o jogo. “Comecei a usar meu conhecimento técnico como
diferencial. Quando coloquei isso a meu favor, me destaquei, consegui
reconhecimento e acumulei outra função”, afirma Ruan, que é analista júnior de
inteligência de mercado — e agora também de novos negócios.
“Você deve pensar que precisa ser
aceito sem ser igual aos outros”, diz Vera Martins, consultora e professora da
Fundação Vanzolini. “É preciso saber o que aproxima e o que afasta as pessoas.
Quando você mostra respeito pelo cargo do outro, gera uma emoção positiva nessa
pessoa. Resultado: a pessoa vai se sentir querida por você, o que facilitará as
relações com ela.”
Dependendo da cultura da empresa,
para mostrar que se respeita um profissional mais experiente, deve-se pedir
permissão para dar uma nova ideia. Analise antes se a hora que escolheu é a
melhor — você pode não ser aceito, por exemplo, se chegar com uma novidade num
momento em que a pessoa está insegura ou, ainda, na frente dos outros.
Conversar com o chefe direto é
uma via fundamental para resolver os problemas. Mas, antes de chegar até ele,
ouvir a opinião de colegas pode ajudar a clarear as ideias. É estar disponível
para aquele papo no cafezinho, por exemplo. Isso pode ser muito bom para
conhecer o funcionamento de seu departamento, os códigos e até os tabus que há
por ali.
O apoio da família também é
importante. “Seus pais sempre terão algo a agregar sobre seus problemas, não
importa qual a profissão deles”, diz Daniela de Rogatis, consultora na área de
educação em família. “Estudar sobre o assunto de que se tem dúvida dá mais
repertório. Muitos problemas são resolvidos entendendo a história da empresa em
que trabalha. É fundamental respeitar as estruturas existentes”, diz Daniela.
Para trocar ideias e se
relacionar com tranquilidade, é necessário ter muita clareza do que é possível
dentro da empresa. Caso sua expectativa seja uma promoção, pare e pense:
"Será que onde trabalho isso é possível?" Antes de conversar com o
gestor, analise o momento pelo qual a companhia está passando, se há condições
para que essa subida de cargo aconteça.
"Vá entender primeiro o que
é esperado do cargo que você tem e se, dentro disso, há algo que ainda esteja
faltando, para depois falar sobre a promoção", afirma Danilca.
Retirado de: http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/180/noticias/como-ler-seu-ambiente?page=3
Retirado de: http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/180/noticias/como-ler-seu-ambiente?page=3
