Saiba qual é o efeito das pequenas
mentiras que todos contam na entrevista de emprego e como elas podem, no
limite, interferir no seu salário.
Após horas de prática na frente do
espelho de casa, com sorrisos modestos, traquejo na voz, barba e cabelo
aparados e positividade no olhar, o candidato a uma vaga de emprego acredita
que está pronto para enfrentar qualquer entrevista.
Pela internet, é possível encontrar
diversos métodos “infalíveis” para passar sem problemas por esse momento tão
importante na carreira. Alguns candidatos praticam tanto com esses recursos que
até reclamam se o entrevistador esquecer de alguma coisa, e no final da
entrevista intimam: "Mas você não vai nem me perguntar qual a minha melhor
qualidade?".
A maioria já sabe o que vai
responder — ou pelo menos acha que sabe —, e pode acabar até omitindo ou
disfarçando alguns pontos na hora do show. O conhecido "Você trabalha bem
em equipe?" com certeza virá seguido de um "Sim, é claro"
animado, até mesmo de quem levava a bola embora quando o time perdia.
Em outras palavras, na entrevista
de emprego quase todo mundo mente. E mente com convicção. Mas, na verdade, esse
efeito pode ser reverso, e até prejudicial para o mercado.
Os empregadores, mesmo quando se
fazem de inocentes, sabem muito bem que a maioria dos candidatos vai ocultar
uma coisa ou outra e podem tomar uma precaução importante para não sofrer
grandes prejuízos: reduzir os salários pagos no primeiro ano de
emprego.
Existem algumas formas de sinalizar
características positivas para os contratantes.
Diplomas de bons cursos e
certificados de exames padrão como o TOEFL contribuem para abrir portas nas
mais diversas empresas. Um aluno do Instituto Tecnológico de Aeronáutica pode
acabar trabalhando no mercado financeiro. Não porque sua escola ensina bem
finanças, mas sim porque seu diploma sinaliza qualidade e eficiência para o
mercado.
Ainda assim, um profissional bem
preparado sofre com o custo de assimetria de informação. Em economia,
assimetria de informação é um fenômeno que ocorre quando, numa negociação, uma
das partes detém mais informações qualitativa e/ou quantitativa que a outra. O
empregador sempre tem mais informações do que o candidato a vaga de emprego.
Logo, o empregado acaba tendo de
suportar seu primeiro ano de trabalho — ou o temido período de testes —
recebendo apenas uma parcela daquele que deveria ser seu salário graças aos
mentirosos de plantão.
