De tempos em tempos, mudanças sensíveis na cultura
empresarial acontecem e causam impactos diretos nos negócios. Foi-se o tempo em
que apenas equipamentos e atividades operacionais geravam lucratividade para as
organizações. Hoje, o olhar empresarial também está voltado para o capital
intelectual, ou seja, para as pessoas.
A importância dada a elas - suas
capacidades criativas, motivações, competências e conhecimentos - é sentida
como um diferencial e uma oportunidade para as empresas crescerem mais. Fato
este apontado pela recente pesquisa da Deloitte, que indica que as organizações
pretendem investir cerca de 2,4% de seu lucro em benefícios aos colaboradores.
Dar maior importância às pessoas do
que aos bens tangíveis torna-se uma tendência porque são elas que detém os
conhecimentos mais valiosos sobre como atingir melhores resultados, como
diagnosticar problemas e otimizar processos internos, enquanto os equipamentos
usados nas operações são meros coadjuvantes para tal fim.
A maneira de aproveitar melhor o
conhecimento desses colaboradores é praticar a gestão do conhecimento, que nada
mais é do que estimular e facilitar a troca, e o uso e a criação de
conhecimento em toda a empresa. Com a gestão do conhecimento, as pessoas são
incentivadas a compartilhar aquilo que sabem, de forma a criar um ambiente de
trabalho no qual toda experiência válida pode ser acessada pelos outros
colaboradores e aplicada em suas atividades a fim de elevar a produtividade da
companhia.
Falando em conhecimentos, há dois
tipos básicos que podem ser aplicados pelo ser humano: o explícito e o tácito.
O conhecimento explícito é o mais fácil de ser colocado em palavras, registrado
e documentado. É facilmente adquirido por meio da leitura de manuais, livros e
artigos, por exemplo. Quando falamos das funcionalidades de um sistema, ou das
etapas de um processo produtivo, tratamos do conhecimento explícito.
O segundo tipo - o tácito - é o
mais difícil de ser colocado em palavras e é adquirido apenas com a prática. O
conhecimento tácito é aquele que só conseguirmos mostrar ao usar. Um líder
gerindo sua equipe, um médico realizando um diagnóstico ou vendedor fechando
uma venda difícil, são exemplos desse tipo de conhecimento. É difícil de
explicar e só se aprende com a experiência, com a vivência.
Para as empresas, a gestão do
conhecimento pode ser de grande valia, pois contribui para a geração de valor,
otimização das operações e para melhora do atendimento ao cliente final. Por
isso deve ser aplicado nas empresas. Uma vez disseminado, o conhecimento pode
ser retido por outros colaboradores, a fim de gerar resultados sempre
superiores aos do passado. Um engenheiro que opera uma plataforma de petróleo
em alto mar tem uma experiência riquíssima que deve ser bem aproveitada. É
preciso reconhecer e disseminar esse conhecimento para que a empresa esteja
sempre evoluindo. É algo contínuo.
Um dos desafios para as empresas
atualmente é aplicar a gestão do conhecimento de forma alinhada aos negócios,
orientada para os objetivos estratégicos da empresa. Não adianta implantar a
gestão do conhecimento sem pensar em quais resultados se quer atingir. Caso
contrário, a gestão do conhecimento gera pouco impacto.
