O que distingue se o trabalho é
para nós uma paixão ou um vício, se somos worklovers ou workaholics, são os
motivos pelos quais trabalhamos. Ser workaholic ou worklover influi na maneira
pela qual executamos o próprio trabalho e como nos relacionamos com as pessoas
dentro e fora da organização.
Nesse sentido, vale a pena
lembrar que as políticas de recursos humanos praticadas numa organização têm um
papel fundamental. Fomentam a sinergia e o comprometimento através de uma
exigência sadia por resultados ou estimulam condutas individualistas onde o que
importa é o cumprimento de metas e objetivos pessoais. As políticas de
avaliação e remuneração jogam aqui um papel decisivo: são indutores de conduta.
O fenômeno workaholic tem uma maior incidência em organizações que possuem uma
cultura extremamente competitiva; não é algo que está ligado somente a um
determinado tipo de pessoa ou temperamento.
Do ponto de vista individual,
podemos dizer que o trabalho é para nós uma paixão quando não é uma atividade
polarizadora e exclusiva. Se, pelo contrário, é algo totalmente absorvente,
adquire os contornos de um vício que leva à dependência.
O workaholic possui alguns traços
bem marcantes: é alguém voltado a resultados e pouco sensível às necessidades
das pessoas; estas sempre serão para ele um meio para alcançar suas metas.
Nunca poderá ser um líder no sentido pleno da palavra porque faltam-lhe as
características fundamentais da liderança: autoconhecimento, autogoverno e
capacidade de formar pessoas.
A falta de conhecimento próprio
está relacionada com a sua incapacidade de perceber que o trabalho não é o
único âmbito da sua vida. Apresenta um forte desequilíbrio entre o lado
profissional, super-desenvolvido e o pessoal, frequentemente esquecido. Como
conseqüência de uma afetividade pouco desenvolvida, não possui o necessário
autoconhecimento que é o ponto de partida para o autogoverno e o
desenvolvimento de competências. Falta-lhe inteligência emocional, que nada
mais é do que ordenar a cabeça e o coração. Nunca poderá ser um líder completo
se não for capaz de liderar-se e, justamente por isso, nunca será eficaz quando
se trata de formar e desenvolver pessoas.
Já o worklover, ao trabalhar por
paixão e não por impulso, possui uma maior sensibilidade a pessoas. É capaz de
motivá-las, fazendo com que sejam seus eficazes colaboradores, porque
entusiasma e transmite confiança. Estes dois estímulos são os motores do
comprometimento.
O worklover é alguém que adora o
que faz e sabe equacionar o seu tempo tendo em conta todas as suas obrigações
como chefe, subordinado, como membro de uma família etc. Possui um equilíbrio
interior que o coloca em condições de desenvolver suas atribuições de um modo
muito mais eficiente.
A diferença entre o workaholic e
o worklover é a medida da sua ambição. No primeiro, a ambição é tudo; para o
segundo, está a serviço da sua felicidade.
