O mito da empresa
perfeita
Para
conquistar interessados em trabalhar nelas, muitas empresas promovem a imagem
de que são lugares incríveis. Outras são marcas renomadas, que se
aproveitam da reputação de seus produtos na captação de empregados, mesmo que
internamente sejam ambientes ruins.
"É
natural que as empresas só mostrem o que têm de melhor. O problema é que muitas
vezes as regras do jogo não ficam claras”, diz a coach Eliana Dutra, do Rio de
Janeiro. “Uma empresa pode ser excelente para muitos, mas não para
todos.”
Falta de identificação
com a cultura
É
natural se sentir um forasteiro nos primeiros dias de um emprego novo. Falta
conhecer as pessoas e os inúmeros códigos informais que regem os
relacionamentos corporativos.
Se
a sensação se prolongar, é sinal de que pode faltar identificação com a
empresa. Aí é hora de avaliar se vale tentar uma adaptação, revendo alguns
hábitos e analisando se suas crenças e seu estilo realmente são únicos e não
podem ser mudados. Se a incompatibilidade for total, não adianta
insistir.
Ambiente de forte
pressão
O
trabalho sob pressão afeta inúmeros mercados. Pouca gente escapa dessa
realidade. Encontrar nos primeiros dias um ambiente assim pode ser traumático,
por mais que a pessoa saiba do estilo da empresa.
O
conselho é enfrentar o monstro. “O profissional precisa insistir um pouco antes
de desistir”, diz Mara Turolla, diretora de coaching da consultoria Career
Center, de São Paulo. “As decisões devem ser mais racionais e menos por
impulso.”
Problemas com o chefe
Um
estudo da consultoria Page Talent — que contrata estagiários e trainees — com
600 jovens entre 18 e 24 anos mostra que 52% não se preocupam em conhecer o
perfil dos chefes antes de aceitar uma oferta. Tentar saber mais sobre o futuro
líder ajuda a prever problemas de relacionamento.
No
convívio, a orientação é evitar o confronto. Se o caso for insuportável,
deve-se tentar mudar de área, considerando que pode não haver outro lugar na
empresa.
Falta de qualidade de
vida
Uma
promessa comum é a qualidade de vida. Muitas empresas, na hora de contratar,
omitem que têm um ritmo insano. A regra é esperar até ter certeza de que não se
trata de um pico passageiro de serviço. “Se os horários forem mesmo loucos,
tente ganhar tempo em coisas como o transporte para o trabalho”, diz Mara
Turolla, da Carrer Center. Se não for possível, considere sair.
Trabalho chato
Mesmo
que o profissional faça o que gosta, encontrará atividades monótonas. A parte
chata raramente é discutida na entrevista. Descobrir uma forma leve de encarar
o lado entediante do trabalho facilita o dia a dia.
O
problema é a falta de tarefas estimulantes. Uma opção é tomar a iniciativa.
“Experimente propor um novo projeto para o chefe”, diz Mônica Ramos, diretora
do serviço de transição de carreiras da consultoria LHH/DBM, de São Paulo.
Promessas não cumpridas
Muitos
profissionais reclamam que, antes de entrar, a empresa vendeu uma imagem bem
diferente da prática”, diz André Freire, presidente da Odgers Berndtson,
empresa de recrutamento de executivos de São Paulo. Se isso ocorrer, o jeito
é se virar com aquilo que está disponível e renegociar as metas com o
chefe, explicando que precisa dos recursos que foram prometidos na
entrevista.
Retirado da Revista Exame: http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/192/noticias/o-novo-emprego-desapontou?page=3
